segunda-feira, 29 de junho de 2009

Uma colisão de estrelas?

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Corre, por um motivo trivial, está atrasada. Faltam 10 minutos para o filme começar e o trânsito está parado. Em um dia normal levaria 5 minutos, hoje, 30. Ela começa a desesperar-se... decide descer do ônibus e pegar o metrô. Uma estação apenas, mas o tempo não poderia esperá-la. A concentração de pessoas na porta a faz perder o ponto, terá que descer no próximo. Mais 3 minutos de uma dilacerante espera.
Quando finalmente consegue sair, o ar da noite invade seus pensamentos. Ela recorda-se da noite anterior, e percebe que a blusa que veste ainda tem o cheiro dele. Todos seus sentidos apuram-se, o frio cortante e o vento acariciando suas bochechas... Um belo sorriso preenche sua face, dando cor aquele rosto pálido e gelado. A buzina de um carro a traz bruscamente de volta a realidade. Recomeça, então, a correr. Chega à estação e desce dois degraus de cada vez, como se sua vida dependesse daquilo. Quando está na metade da escada vê ao final dela uma calça e uma blusa levemente familiares, o rosto ainda coberto pelo concreto da estação.
Naquele milésimo de segundo milhares de recordações, suposições, sentimentos passam por ela... será? Impossível, seria coincidência demais. Mas o que menos suspeitava acontece. Aquele sorriso tão conhecido a sua espera. Sensações novas a invadem, como sempre acontece quando o vê. Curiosidade, êxtase, vontade e uma calma extrema... um "Oi" acompanhado de um beijo e um riso escondido. Ah, como esse ser tão distinto consegue fazê-la esquecer do mundo.
Mas a percepção do tempo bate. Forte. Despede-se rapidamente e continua o seu trajeto até o cinema. Clichê demais dizer que a noite para ela terminou ali? Correu pela avenida movimentada, sentiu a brisa noturna, ouviu os carros, os gritos. Tudo tão aleatório e distante. As pessoas que passavam ao seu lado julgavam-na como louca. Por que alguém sorria tão intensamente em um dia normal, no meio da semana? Ela ria cada vez mais ao perceber que falavam dela. Como era feliz naqueles poucos instantes! Decidira que tudo isso que lhe fazia bem ficaria guardado, ou seria vivido. Não deixaria escorrer pelas mãos ao abrir espaço para um pensamento sequer de angustia. E assim foi...
Poderia contar como foi o filme. Ou como foi sua volta para casa, os pensamentos que teve antes de adormecer. Entretanto, tudo isso torna-se pequeno perto do que ela sentiu ali, naqueles 30 segundos.


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Van Halen - I Can't Stop Loving You


Beijo!
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Um dia qualquer

A descrição de um dos meus melhores dias.
Nuvens. Sons. Todo. Encobrindo o sol. Fumaça. Sinapses. Pureza. Vento dançando - acariciando. Difusos. Confusos. Internos. Sente. Impura. Brilho. Risada. Saudade. Afeição. Instante. Xícara. Colher. Linhas. Mudança(s). Líquido fumegante. O quê? Dois. Ferro. Meu. Coincidência. Imutável. Plenitude. Apreensão. Secreto. Encontro. Memória. Atual. Vontade. Cinza. Planejado. Cor. Intriga. Não. Azul. Melodia. Wonderfull. What? Words. Maybe. Feelings of course. Both. Care.
Faltam conectivos às palavras. Algum símbolo que torne-as coesas. Tenham nexo. Talvez não haja sentido...



Hoje?
O frio congela as mãos. É o mesmo que queima a face e rasga o peito. Intensidade...